domingo, 11 de abril de 2010

Os calhamaços


O que é, afinal um calhamaço? Suponho que dependa do leitor: para alguém que pouco ou nada lê, 400 páginas podem ser um autêntico calhamaço, mas para os leitores mais habituais, 400 páginas é quase normal, e para ser considerado um autêntico calhamaço, tem que ter a partir de 700 páginas.

Lembrei-me de vir falar disto hoje, porque estou a ler um calhamaço dos grandes, O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss, com as suas 900 e qualquer coisa páginas, e reparei numa coisa.

Para começar não é assim tão calhamaço quanto parece. Sim, tem muitas páginas, mas tem um tipo de letra grande. Parece enorme, mas se formos a ver é capaz de ser bem mais pequeno do que aparenta. Mas não foi nisso que eu reparei, perdoem-me a divagação. Aquilo em que eu reparei foi que o simples facto de ser um calhamaço me deixou com vontade de o ler. Pode parecer algo... parvo, julgar um livro pelo seu tamanho, mas é inevitável, quando vejo um livro grande, fico logo em pulgas para saber o que raio ocupa tantas páginas.

Não sei bem explicar, acho que por ser tão grande implica várias coisas. Que o/a autor/a teve paciência para escrever aquilo tudo, e como tal não pode ser um tótó qualquer; que tem de ser uma história interessante, para ocupar tantas páginas; e que deve ter potencial, para ser publicado, pois livros grandes implicam custos maiores na produção. Mas, como é óbvio, isto é o meu espírito optimista de leitor a falar. O/A autor/a pode perfeitamente ser um tótó sem o mínimo talento para escrever... Paciência para escrever e talento para escrever não são directamente proporcionais. O livro pode até nem ter o mínimo de interesse, pode não passar de 900 páginas de palha, em que pouco ou nada se conta. E, claro, as editoras também publicam grandes falhanços.

E nem todos os leitores são tão optimistas quanto eu... Alguns não gostam de ler livros deste tamanho por várias razões: ou porque não é prático (convenhamos, gente que lê fora de casa, e que anda com os livros atrás, não deve achar muita piada a carregar 3 kg de livro de um lado para o outro), ou porque pensam naquelas razões todas que eu apontei ali em cima, ou porque simplesmente lêem devagar, e um calhamaço de 900 páginas lhes iria ocupar demasiado tempo, o que faria com que se fartassem do livro, e não o aproveitassem como deve ser.

E é por isso que os calhamaços devem seguir um certo conjunto de regras informais. Devem ter capítulos pequenos (bem, grande parte dos livros os devia ter pequenos, mas livros grandes então...). A leitura torna-se mais fluida, o que é essencial para ultrapassar as 900 páginas. Os autores de calhamaços devem ter muito cuidado com o que escrevem... Com tantas páginas, não é muito difícil um/a autor/a se deixar levar, e ter 200 páginas a encher-chouriços. É das coisas que os leitores da Stephenie Meyer mais se queixam. Embora eu pessoalmente nunca tenha lido a sua saga de vampiros, aquilo que mais oiço dizer é que metade dos livros só lá estão para, lá está, encher chouriços.

Conclusão: calhamaços? Sim, se faz favor. Pelo menos enquanto não me desiludirem.

6 comentários:

Jacqueline' disse...

Eu também gostava de calhamaços, mas depois de experiências traumáticas (Sim, refiro-me também a Amanhecer e a Brisingr), a minha vontade é bem mais pequena.

Mas também depende do meu estado de espírito e da minha disponibilidade de tempo para ler. Se estiver numa época em que não leio muito e o meu estado de espírito for sem paciência (deve haver este estado de espírito, não?), a minha resposta a calhamaços é não. Se pelo contrário, tempo não me falta, calhamaços, sim!!

Rui Bastos disse...

Pois o Brisingr também é um calhamaço e pêras, e não merecia tantas páginas :x

E claro, depende sempre do tempo disponível... Se bem que eu pessoalmente adoro calhamaços em qualquer altura :p

Lars Gonçalves disse...

Eu já li o calhamaço do "Nome do Vento", e digo-te que valeu a pena.

Rui Bastos disse...

Pelo que já li até agora, estou a ver que sim =D

Goldalsky disse...

Eu também gosto de ler alguns calhamaços. Mas acredita que existem três calhamaços, cada um dentro do seu estilo, que me marcaram de forma positiva. Um deles foi "Os Maias", de leitura fantástica com um enredo muito bom e uma escrita perfeita. Outro, foi "Nómada" de Stephenie Meyer, foi, de longe, o melhor livro que ela escreveu. Outro, foi "O Nome do Vento", que achei de uma escrita muito boa mesmo. Acho que esses foram os três calhamaços que mais me marcaram.
Boas leituras =)

Rui Bastos disse...

Já li os dois primeiros, e estou a ler esse terceiro, que referes, e a modos que concordo contigo :P