domingo, 21 de novembro de 2010

Géneros Literários (6.2) - Forma e Conteúdo



(continuação)



Portanto, vamos lá tratar de definir as coisas. Aviso já que me vou abster de tratar este assunto relativamente a outra coisa que não o género narrativo. Isto, por duas razões muito simples: 1) não leio o suficiente dos outros géneros para conseguir fazer aquilo a que me proponho, sem errar miseravelmente; 2) como 99% das leituras aqui do blog pertencem ao género narrativo, não me parece particularmente relevante falar dos outros géneros.



Um pequeno aparte. Eu não pretendo, com esta série de crónicas, chegar ao sistema de classificação supremo, ou assumir que as conclusões a que eu vou chegar estão certas, ou que são as mais certas. Como disse no primeiro texto:



"Não tenho pretensões a reescrever toda a história literária, em termos de classificações, nada disso. Apenas uma satisfação pessoal de perceber mais a fundo este grande mundo dos livros, e de tentar definir, de uma vez por todas, a nível pessoal e bloguístico, esta história dos géneros e afins."



Ou seja, aquilo que vou começar a fazer a partir deste post, definições de classificações, não passam de conclusões pessoais da minha forma de classificar. Se alguém as quiser utilizar, força, é sinal que não disse muitos disparates. Se ninguém as quiser utilizar, tudo bem na mesma. São essencialmente para mim, e para o blog.



Com isto já bem esclarecido, avancemos.



Oficialmente, além da forma e do conteúdo, ainda falam em extensão e temática. Em termos de forma (estrutura) de conteúdo e de extensão, os livros do género narrativo classificam-se, segundo a Wikipédia, em: romaces, contos, novelas, poemas épicos, crónicas, fábulas e ensaios. E depois é dito que quanto à temática se podem classificar em policiais, de amor, etc.



Estas definições wikipediescas já vêm, em parte, ao encontro às minhas ideias. Mas aquilo que eu pergunto é: porque não incluir a extensão, quando se fala de estrutura, ou forma? E o conteúdo e a temática, não são praticamente a mesma coisa?



E o próprio artigo da Wikipédia que dá estas definições apresenta incongruências. Por exemplo, define a epopeia, e diz que "é uma narrativa feita em versos, num longo poema que ressalta os feitos de um herói ou as aventuras de um povo.". Mas apresenta, como exemplo, O Senhor dos Anéis, que não está escrito em verso!


Mas pronto, isto pouco me afecta. A Wikipédia é tudo, menos perfeita. Aquilo a que eu estou a tentar chegar, é que preciso de ter cuidado com estas definições e classificações, especialmente tendo em conta que estou a falar de algo com laivos de subjectividade e com alguma imprevisibilidade pelo meio. Afinal, o que é que impede alguém de escrever uma epopeia de ficção científica, centrada numa história de amor, com uma grande intriga policial como pano de fundo?


Acho que já me fiz entender.



(continua)

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