terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Beowulf: Problemas

Sim, o filme é baseado num livro, e sim, esse livro é um poema épico. Foi estranho, quando me apercebi disso mesmo, não conseguia perceber como é que algo tão grandioso como o filme podia ter sido inspirado num poema. A resposta é: poema ÉPICO.

E já se notam as diferença entre poema épico e epopeia clássica. Pelo menos entre este poema épico e a única epopeia clássica que li. Logo para começar, organização, não tem nenhuma, que eu consiga ver. Depois, raramente há rima, como a havia em todos os versos d'Os Lusíadas, se bem que há uma maior profusão de rimas interiores (será que é assim que se chamam), em que a última palavra do verso rima com uma palavra a meio do verso seguinte.

Também não começa in media res, já com a história muito avançada, antes pelo contrário, começa pelo fundar de uma dinastia.

Quanto a esta última parte não tenho muito a dizer, são modos diferentes de começar, mas também são livros diferentes dentro do mesmo subgénero. Já quanto às minhas primeiras queixas, tenho três coisas a dizer acerca deste livro: estou a lê-lo em inglês; esse inglês é uma tradução do old english em que o original está escrito; esse original foi escrito ao longo dos anos, partindo de uma história transmitida de forma oral.

O eu estar a lê-lo em inglês levanta problemas óbvios. É que apesar de eu, modéstia à parte, ter um inglês bastante razoável, mesmo a nível de oralidade, é muito mais complicado para mim conseguir apanhar a musicalidade dos versos, uma vez que não estou mesmo nada habituado a ler coisas deste género em inglês. Depois, parte dessa musicalidade já se perdeu, com a tradução do old english para o inglês actual (bem como, muito provavelmente, as rimas e possivelmente a organização). Por fim, esta história tem uma tradição oral muito forte, o que significa que mesmo estando escrita, está escrita para ser lida e ouvida.

Estão a ver o problema. Uma história feita para ser lida ou ouvida, que já perdeu parte da musicalidade por ser uma tradução, e que está numa língua na qual eu não consigo captar muito bem a sua musicalidade. Pois.

Mas tirando isso, estou a gostar. Como pontos positivos, aponto as notas do tradutor, muito explicativas; e ainda as 40 longas e abençoadas páginas da introdução, escritas pelo tradutor, em que este fala da obra, de como foi traduzi-la, dos problemas que teve e dá "dicas" para melhor aproveitarmos a obra, seja fazer uma pequena contextualização história, seja clarificar alguns assuntos menos claros.

10 comentários:

crucios disse...

Pois, o Beowulf é completamente diferente. Não tem estrutura rimática. Ao invés disso, faz o uso de versos aliterativos, que é bem mais dificil do que fazer uma estrutura rimática. =)

Adeselna Davies disse...

Li o Beowulf este ano... não gostei assim muito - é bom como poema épico mas tem muitas falhas a nível de densidade das personagens - em comparação aos Nibelungos, estes batem o Beowulf ao largueiro :) Ler Beowulf tem de ser em inglês medieval e ler bem alto com um livro de literatura medieval ao lado. As edições da Peguin mais caras costumam ter introduções muito boas :) Euli a tradução do Seamus porque dizem que é a melhor - mas de facto para ler literatura medieval é preciso ter muito background histórico e literário :) Aconselho os Nibelungos e Parsival para literatura medieval e em português claro o Cancioneiro Geral de Garcia Resende :)

Patrícia disse...

A futura revista "Intervenção" é o reflexo do pensamento de seis jovens indignados com o panorama da sociedade.
A revista parte de uma iniciativa que tem por objectivo uma crítica àquilo que vemos mas que nos passa completamente despercebido.
Desta revista surge um blogue "Realidade Paradoxal" : realparadoxal.blogspot.com
Gostaríamos que comentasse o nosso blogue e se acha que o nosso projecto é de facto interessante, que o divulgasse.

Desde já um muito obrigado

Rui Bastos disse...

crucios, exacto, o tradutor mencionou algo desse género, na introdução :p

Adeselna, ficam anotados ;)

Ana Duarte disse...

O filme que falas é um que saio em 3D há uns tempos? Nunca ouvi falar desse poema e nem me apercebi, ao ver o filme, que era baseado numa obra. Mas, sinceramente, não gostei do filme... muito porque era em 3D e eu não gosto de 3D.

Passei por aqui à boleia de uma pesquisa que fiz no Google e cá voltarei. :)

Ana Duarte disse...

*saiu

Rui Bastos disse...

Ana, é precisamente esse o filme ;) Tens que dar uma oportunidade ao 3D, que o filme estava muito bom =D

E que posso dizer, viva o google! :p

crucios disse...

O filme tem vários aspectos diferentes do poema, como por exemplo, o funeral, mas ainda assim, acho que fizeram um bom trabalho no filme. Não é nada de especial, mas entretém bastante para quem gosta da temática. =)

Alice Matou-se disse...

Na minha opinião, Bewolf é um filme que peca não só pela qualidade como pela estrtura. Não gostei.

Rui Bastos disse...

Mas o filme estava tão bem feito :o