quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Lua do Loreto


Esta foto foi tirada pela Júlia, do My very own moonlight *.* e co-autora do Metáfora de Refúgio, com quem fui hoje à FNAC do Chiado assistir àquilo de que vos vou falar a seguir (e comprar o Silmarillion, de Tolkien, mas isso são outras conversas). No lado esquerdo da foto, quase invisível, está Charles Sangnoir, músico e afins. No lado direito, David Soares, escritor e afins. Ao centro podem ver a Estanqueira do Loreto, figura quase mítica da antiga Lisboa. O primeiro deu a música e a ambiência, e o segundo leu um texto seu sobre a terceira, uma das personagens desfiguradas que figuram como protagonistas do disco de spoken word, Os Anormais: Necropsia de um Cosmos Olisiponense.

De David Soares não tenho que dizer nada, a minha admiração incondicional e quase histérica por este grande escritor já é bastante conhecida. Já de Charles Sangnoir, o que tenho a dizer é que preciso de investigar mais coisas sobre este artista multifacetado que faz parte dos La Chanson Noire.

A junção dos dois neste disco de spoken word que é Os Anormais deve ser algo simplesmente fenomenal. A actuação de A Lua do Loreto a que assisti é apenas um dos capítulos do disco e fiquei maravilhado, imagino quando ouvir o disco todo.

Em termos de estrutura, a ideia é simples. David Soares quis de certa forma homenagear as figuras não propriamente esquecidas, mas renegadas, tidas como repugnantes, pelo menos na altura. São estes os Anormais, personagens deformadas de características peculiares que se tornaram verdadeiros mitos da cidade de Lisboa. Junte-se a esta vontade a sua enorme capacidade de pesquisa histórica, que tem usado em todos os seus trabalhos, a sua fantástica capacidade criativa e literária, e ainda a sua paixão por Lisboa, e só pode resultar algo de muito bom.

Junte-se ainda a música de Charles Sangnoir, que dá a ambiência ideal e que não ficou nada atrás em termos de qualidade da prosa de David Soares e o resultado é de facto espectacular. Eu pelo menos fiquei bastante entusiasmado para ouvir o disco, e mal posso esperar para o fazer. Até lá, ficam a saber que esta pequena actuação foi simplesmente fascinante, quer pela qualidade musical de Charles Sangnoir, quer pela qualidade literária de David Soares.

2 comentários:

Jules Pijey disse...

Se David Soares já nos tinha conquistado com os seus livros acho que desta vez ficámos simplesmente rendidos.. :)
A apresentação foi genial e lá vais ter de ouvir o CD com atenção, não é?..
Certo é que venham mais livros e mais projectos deste senhor porque tudo aquilo que o envolve atinge sempre níveis ridiculamente altos de genialidade.
[happy now?.. :)]

Rui Bastos disse...

Ahhhh, mal posso esperar... (and yes!, a comment!, finally!)