quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Pro

Título: A Pro
Argumento: Garth Ennis
Desenho: Amanda Conner
Arte-final: Jimmy Palmiotti
Cor: Paul Monts
Tradutor: Pedro Silva

Sinopse: Ela pragueja. Ela fuma. Ela amamenta. Ela engole... a concorrência. Ela é a mais improvável pessoa na Terra para ter super-poderes! Ela é A Pro.

Opinião: Como podem perceber pela capa e pela sinopse, este livro é javardolas. Javardolas e hilariante. Algo que talvez não consigam ver assim de imediato, é que este livro é para mim um caso único até agora, um tipo de livro bastante especial.

A Pro é um livro que provavelmente beneficiou de estar traduzido para português e não na sua língua original. E porquê? Por causa de uma propriedade escondida e desprezada da língua portuguesa. Fala-se muitas vezes da beleza singular da nossa língua, do seu léxico rico e alargado, e da sua construção frásica complexa, factores que permitem grandes obras literárias que acabam incompreendidas lá fora, para além de ajudam bastante ao facto de sermos conhecidos como um país de poetas.

Mas as pessoas muitas vezes esquecem-se de que também há poucas línguas tão javardas como o português. A sério. A língua inglesa é altamente educada, na pior das hipóteses as javardices parecem apenas rudes. O italiano é perpetuamente cantado, o francês é espampanante e o alemão é áspero. E tudo soa ligeiramente pornográfico em espanhol. Mas querem contar uma boa piada javarda? Querem ser autênticos badalhocos sem chocarem ninguém com o quanto isso destoa do que vos rodeia? Façam-no em português!

A entoação que conseguimos dar às palavras pode ter muito potencial para ser pura poesia, mas também tem bastante potencial para soar javardo. Querem um exemplo? Experimentem dizer "Brochistas de merda!", como diz uma das personagens, noutra língua qualquer. E agora digam-no em português, com a entoação que vocês sabem que deve ter. Nem comento!

O livro também tem uma história, não se exaltem já com as badalhoquices. A Pro e companhia limitada são paródias de super-heróis bastante conhecidos, com a primeira a contrastar com os segundos por ter os pés assentes na Terra e nunca se deixar enganar pelas morais certinhas e angelicais dos ditos super-heróis. As situações geradas são hilariantes. A certa altura ela usa a sua super-velocidade para fazer uma quantidade aberrante de broches (em bom javardês) e ganhas bateladas de dinheiro. É hilariante.

E é pequenino, o livro. Lê-se bem, rápido, e quase que nos obriga a soltar umas poucas gargalhadas, mais rápidas a chegarem se conhecerem alguma coisa do mundo dos super-heróis. Especialmente para essas pessoas, se querem ler uma boa crítica ao meio, aconselho-vos este livro. Para todas as outras, e sem esquecer a bolinha vermelha no canto superior direito, aconselho igualmente!

5 comentários:

Nuno Amado disse...

Se gostaste aconselho-te The Boys, também do Garth Ennis!
:P

A propósito, chegaste a receber a divulgação que mandei do livro Vamos Aprender?

Abraço

Ana/Jorge/Rafa/Júlia disse...

Este livro é hilariante! E o facto de se ler em pouco mais de 20 minutos é um grande ponto a favor!

Jorge

Rui Bastos disse...

Nuno, tenho que investigar isso, I see! E recebi, mas entretanto esqueci-me, ficou perdido no mailbox hell xD

Jorge, é verdade sim senhor, quem disse que não se podia fazer crítica javarda? xD

Ana/Jorge/Rafa/Júlia disse...

Please, o Oscar Wilde só não fazia BD, mas era crítico e chegava à pornografia xD

Jorge

Rui Bastos disse...

Caríssimo, isso é romantismo sensual xD