sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Procura da Verdade Oculta: Textos filosóficos e esotéricos

Título: A Procura da Verdade Oculta: Textos filosóficos e esotéricos
Autor: Fernando Pessoa
Organizador: António Quadros

Opinião: Não sendo fã de pessoa, por vezes estranho a curiosidade que sinto em relação ao homem. A verdade é que por muitos nomes que lhe chame, o acho uma figura fascinante.

Desde que tive o desprazer de ser apresentado à sua poesia e fui obrigado a ficar a conhecê-lo melhor (e aos seus heterónimos), que sempre quis ler alguma da sua prosa.

A primeira vez que o fiz foi com O Banqueiro Anarquista. Acho que não gostei tanto como a Alice, mas até foi uma leitura agradável.

Este livro, no entanto, é um caso diferente. Organizado por António Quadros, A Procura da Verdade Oculta: Textos filosóficos e esotéricos é maçudo e com tendência a descair para o aborrecido.

Há passagens interessantes, e umas dezenas de páginas que deram verdadeiro prazer, mas não posso dizer que tenha gostado do livro. A culpa talvez tenha sido de ter lido isto "à bruta", ou seja, de seguida, quando me parece ser um livro quase de consulta ocasional. Ou melhor, mais académico do que de leitura normal, chamemos-lhe assim.

Os textos aqui recolhidos não foram escritos com o intuito de estarem reunidos num só livro, e embora a organização não seja má, e não existam grandes quebras temáticas, Pessoa claramente gostava demasiado destes assuntos para que a sua genialidade (que reconheço, apesar de tudo) vertesse incólume para o papel.

Há críticas a teorias e filosófos, argumentos fortes e alguns mais circulares, mas o autor demonstra ter uma enorme clareza de espírito. Isso não impede, no entanto, umas primeiras páginas confusas, pois de tanto que queria falar, acabou por não desenvolver tudo como o devia ter feito.

Eventualmente a coisa fica mais assertiva, e começo a notar algumas conclusões e raciocínios interessantes, mas continuo a achar tudo demasiado confuso para alguém que era capaz de escrever poemas tão falsamente simples.

É que nota-se que pensou muito em tudo isto, mais que não seja pelo seu estilo denso e pesado. O problema é que por causa disso mesmo acabou por ser perder demasiadas vezes em considerações dentro de considerações, e a perder o fio à meada.

E quando se põe a falar de fenómenos esotéricos, e das suas experiências sobrenaturais enquanto vidente? O homem era completamente maluco da cabeça. No bom e no mau sentido.

Já para não valor em algumas das pérolas que de vez em quando se lembrava de soltar assim de repente, como esta:

"A existência de Deus é, pois, idemonstrável, mas é um acto de fé racional, natural portanto - inevitável até - em qualquer homem no uso da sua plena razão.
E tanto assim é que o ateísmo anda sempre ligado a duas qualidades mentais negativas - a incapacidade de pensamento abstracto e a deficiência de imaginação racional. Por isso, nunca houve grande filósofo ou grande poeta que fosse ateu."

Nem sei bem o que dizer sobre isto. Talvez mostre esta citação da próxima vez que alguém me disser que tenho que ser mais tolerante e gostar de Pessoa.

Quanto ao livro, acho que tinha tudo para ser bastante interessante, mas acabou por ficar um bocado maçador, especialmente mais perto do final. Mas realço que mesmo assim encontrei ideias interessantes e uma escrita bastante aceitável.

2 comentários:

Heera Sindhu disse...

Muito interessante! Tenta ler algo sobre a relação dele com o Aleister Crowley.
PS: hoje em dia também vejo o Banqueiro com outros olhos, embora continue a reconhecer-lhe o interesse.

Alice

Rui Bastos disse...

Algo como isto: http://livrosimples.blogspot.pt/2012/07/conspiracao-dos-antepassados.html :p

Ainda tenho ali um livro de textos de crítica e de intervenção, ou coisa que o valha, prometo-te que está na lista...

O "Banqueiro" é tão pequeno que ainda hei-de reler, já com mais conhecimento de Pessoa em cima.