sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Valsa com Bashir


Argumento: Ari Folman
Arte: David Polonsky
Tradução: Pedro Gonzaga


Opinião: Forte, muito forte. Não há outra forma de descrever esta BD. A arte cria uma atmosfera muito intensa que apenas acentua o carácter pesado daquilo que é contado, e que é uma coisa tão simples como um ex-soldado que não se lembra de algumas coisas.

Ari Folman leva-nos assim numa viagem pela vida de um soldado - ele próprio - envolvido na guerra do Líbano. Desejo de se lembrar de um dia fatídico, parte numa busca pelas suas memórias, independentemente do que isso possa significar.

Reencontra velhos amigos e velhos colegas de armas, e conhece algumas pessoas que o ajudam, com relatos do que se passou que permitem reconstruir os horrores daquela guerra e, em particular, do passado de Folman.

O processo é muito interessante, especialmente a fronteira vaga entre sonho, realidade e memória. Tudo sempre pautado por uma arte irrepreensível e que funciona aqui muitíssimo bem. Só é pena que a história se torne confusa, por vezes, especialmente por causa da minha falta de conhecimento relativamente a esta guerra e a toda a política envolvida. Não é propriamente uma falha do livro, mas acho que isso podia estar mais bem explorado e explicado.

É interessante acompanhar a reconstrução do momento, relato a relato, e perceber no fim que tudo estava claramente a afunilar para as últimas páginas, completamente chocantes, embora eu ache que podia ter acabado melhor. Se lerem, rapidamente percebem que foi uma decisão arriscada, e que funciona bem, mas para mim, faltou mais qualquer coisa. É que por um lado, foi um final demasiado brusco, mas por outro não o foi o suficiente. Arriscou, e bem, mas não levou às últimas consequências, algo que podia ser tão simples como acrescentar mais duas páginas ao final, ou ter, digamos, imagens mais gritantemente chocantes.

Mas tirando estes pormenores acho que é um livro e que vale a pena a ler, pela envolvência história (por mais recente que seja este período!) e pela forma como retrata os horrores da guerra e as suas consequências a curto e a longo prazo.

2 comentários:

Jules Pijey disse...

Mas ver o filme, também tenho de tratar disso!

Rui Bastos disse...

Tu e eu!