segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

The Veldt


Autor: Ray Bradbury


Opinião: Bradbury nunca falha, e The Veldt não é excepção. Este pequeno conto futurista é do mais típico que se pode encontrar neste autor. Um ambiente pacato e inocente, uma escrita fantástica, ideias e conceitos fascinantes, e um final intenso.

A história é sobre uma família que vive numa casa inteligente que incluiu um quarto de realidade virtual, em que as paredes projectam o imaginação dos ocupantes, neste caso a dos filhos do casal, dois miúdos, rapaz e rapariga, ligeiramente assustadores.

Se isto fosse um filme, seria daqueles em que eu olhava para as crianças e dizia "nope". Crianças creepy nunca dá bom resultado!

A ideia do quarto de realidade virtual esteve o tempo todo a fazer-me lembrar alguma coisa. Um livro distópico qualquer. 1984? Não, não... Admirável Mundo Novo? Também não. Nós? Hum... Não. Espera, já sei! A televisão imersiva do Fahrenheit 451... do Bradbury!

Faz sentido. E fiquei muito agradado com a maturidade dos temas abordados. O próprio desenrolar da história é mais negro do que aquilo que eu esperava, embora seja relativamento óbvio, relativamente cedo.

É que a casa inteligente parece uma excelente ideia, mas os dois adultos sentem-se cada vez mais inúteis e desnecessários, o que é completamente razoável quando se tem uma casa que até inclui uma máquina para atar os sapatos às crianças. É uma crítica àquilo que corremos o risco de nos tornar, comodistas ao ponto de sermos criaturas puramente sensitivas, com o único propósito de ver, sentir e cheirar, como diz uma das crianças do conto.

A crítica é bem conseguida, mas não é o ponto fulcral da história. O mais interessante é o que acontece quando a imaginação das crianças passa a controlar o quarto da realidade aumentada com demasiado à-vontade e demasiada intensidade. Começam a imaginar uma savana africana (o tal veldt), com liões sanguinários incluídos e tudo, e digamos que depois as coisas não correm muito bem.

Terá sido a imaginação das crianças, demasiado acirrada, que provocou tudo? Ou a culpa foi dos pais despreocupados, que se deixaram substituir pelas engenhocas de uma casa inteligente? Haverá aqui um problema mais profundo? Bradbury não responde propriamente a nenhuma pergunta, deixando o assunto suficientemente em aberto para gerar muito debate. Limita-se a apresentar a história, quase como um caso clínico, mas com uma emoção muito própria da sua escrita.

O final, do ponto de vista do psicólogo das crianças, é um momento marcante e a forma ideal de terminar este excelente conto, que assim entra para a minha lista de favoritos, sem dúvida!

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