segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

American Vampire #1


Argumento: Scott Snyder, Stephen King
Arte: Rafael Albuquerque


Opinião: Se alguém achar que não é possível contar duas histórias em paralelo, têm que ler este livro. Uma é contada por Scott Snyder, passa-se em 1920 e tem uma rapariga chamada Pearl como protagonista. Aquilo que lhe vai acontecendo é violento e perturbador, mas Snyder consegue guiar-nos numa história de vingança impulsiva que não perde o interesse.

A outra é contada por Stephen King (yay!) e conta a origem de Skinner Sweets, um vampiro que aparece como personagem secundária na história de Snyder. É uma narrativa que remonta ao Velho Oeste Americano, na altura dos bandidos que assaltam carruagens no deserto, cowboys e pistoleiros afins.

Cada capítulo do livro traz uma parte de cada história, e é muito interessante acompanhar ambas ao mesmo tempo. Dá para descobrir mais sobre o mundo em si ao mesmo tempo que se acompanha o desenvolvimento da história que realmente importa contar, por assim dizer.

E que história! Uma nova raça de vampiros, mais fortes e mais tudo do que a antiga raça europeia, desponta nos Estados Unidos e ameaça destronar e destruir completamente a comunidade vampírica... E tudo o mais que lhes passe à frente.

Só que não é bem esse o assunto da história. Podia ser, era até bastante fácil, mas há uma abordagem muito mais discreta, com foco em duas personagens - Pearl e Skinner Sweets - nas suas viagens privadas de vingança, cada um na sua época. O resto é fácil de deduzir pelo contexto, mas não é imediatamente evidente, porque não é realmente importante. Pelo menos não neste livro.

Imagino que os livros seguintes desenvolvam muito mais essa guerra e esse confronto, mas esta introdução agradou-me muito mais exactamente por não ir por aí. Esta abordagem permitiu que tanto Snyder como King tivessem espaço para as suas histórias sobre um novo tipo de vampiro, resistente à luz do Sol, mais forte, mais rápido e ligeiramente mais sanguinário.

Os dois protagonistas são excepcionais, Pearl por ter uma transição realista da primeira metade da sua história para a segunda metade, e Skinner Sweets por ser uma personagem como só King sabe fazer: badass, engraçado, violento, despreocupado, e ainda com a vantagem de aparecer em duas fases diferentes da sua vida.

De resto, só tenho coisas boas a dizer. Os diálogos são bons e a arte é fantástica, é preciso dar os parabéns a Rafael Albuquerque pelo seu traço estilizado e característico, perfeito tanto para as cenas mais realistas como para os momentos mais loucos e sangrentos do livro. Ambas as histórias evoluem com um bom ritmo e têm bons finais, que me deixaram curioso para ler o volume seguinte, mas não ficaram demasiado em aberto, ou demasiado pendentes, para me estragar esta leitura. Em suma, um excelente livro do princípio ao fim!

2 comentários:

Jules Pijey disse...

Às vezes fico tão feliz por me emprestares livros!

Rui Bastos disse...

Espertalhona pah!