segunda-feira, 18 de maio de 2015

Mais que Humano


Autor: Theodore Sturgeon
Tradutor: Miguel Romeira


Opinião: Dizer que este livro é estranho, é dizer pouco. Este livro é para lá de estranho. Para ser sincero, acho que é tão estranho que se torna muito, mas muito bom. As minhas expectativas não era muito altas, apesar da boa opinião da Jules. Nem capa nem título me chamaram a atenção, e ao pesquisar o autor, apesar de ter ficado impressionado, não fiquei assim tão impressionado.

Erro meu. Theodore Sturgeon foi claramente um dos pesos pesados da ficção científica e de horror. O meu desconhecimento da sua obra uma falha finalmente colmatada.

É que este livro, no meio da sua história algo confusa e bastante convoluída, é altamente cativante, logo desde o início, com os seus pontos de vista pouco convencionais e as suas personagens complexas e multifacetadas. A própria escrita de Sturgeon, ou pelo menos a versão traduzida, flui que é uma maravilha, capaz como é de descrever fenómenos altamente complexos da melhor forma possível.

O fenómeno em causa é o homo gestalt, uma espécie de próximo passo evolutivo para a espécie humana, composto por várias pessoas que funcionam como um só organismo. Uma simbiose bastante peculiar, se assim o quiserem.

A forma como Sturgeon introduz e apresenta os vários protagonistas está muito bem orquestrada, assim como a escolha das suas personalidades. Passado poucas páginas, já estou mais do que curioso para saber o que vai acontecer, e quando me começo a aperceber a sério, mais quero saber!

Só tenho pena da divisão que o livro tem, em três secções mais pequenas. Ou o livro tinha capítulos mais curtos, ou não tinha divisões nenhumas. O que aconteceu com este formato foi uma grande falta de ligação directa entre as três partes que tornam a leitura muito, mas muito confusa.

Mas tirando isso é uma excelente leitura. A evolução do homo gestalt e até a introdução do conceito, são vários momentos bem escritos e bem montados no plano geral do livro. O autor perde algum tempo a apresentar cada uma das personagens, o que faz todo o sentido se pensarmos que as personalidades das pessoas envolvidas na simbiosa vão ser absolutamente determinantes para o comportamento e as ações do homo gestalt como um todo.

Só a segunda parte do livro é que me agradou um bocadinho menos, especialmente por causa da confusão que me gerou ao lê-la, mas também porque nem sequer há comparação possível com as outras partes, bem desenvolvidas e complexas o suficiente para soarem minimamente reais. Mas acho que é daqueles livros que todas as pessoas que lerem vão ter ideias completamente diferentes. Portanto só têm uma hipótese, que é pegar neste livro de 1953 (pensava mesmo que era dos anos oitenta), e dar uma vista de olhos. Garanto-vos que é fácil de ficar preso!

6 comentários:

Jules Pijey disse...

Confia na Jules!
A Jules é sábia!
A Jules lê coisas interessantes!

Eu lembro-me que o livro é estranho e que gostei imenso de alguns pormenores e da leitura em geral. Ainda o hei-de reler mas achei que ia ser livro para apreciares, mesmo com a dose de estranheza inerente à coisa!

Rui Bastos disse...

I do!

Por acaso foi mais porreiro do que estava à espera, mas a estranheza was strong with this one...

Jules Pijey disse...

Well, that it is! Mas eu disse que era porreiro. É diferente, gostei disso. NEstes livros às vezes apanha-se muitas ideias repetidas, muitas coisas parecidas ou que acontecem ASSIM! e aqui não! Por isso é que gostei imenso e achei que ias apreciar! Guess I was right! :)

Rui Bastos disse...

Indeed you were :)

Paulo Morgado disse...

As histórias do Sturgeon surgiam muitas vezes como noveletas e depois acabavam, nalguns casos, reunidas num livro único. (Chama-se a isso um fix-up). É essa a razão para estranheza da sensação de divisão do livro em partes.

Para quem tiver interesse, há uma adaptação Graphic Novel da Heavy Metal, com desenhos do Filipino Alex Niño e texto de Doug Moench.

Rui Bastos disse...

Ahhh, isso faz sentido!