segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Baile


Argumento: Nuno Duarte
Arte: Joana Afonso


Opinião: As expectativas sempre foram boas. Boa(s) capa(s), um argumento de Nuno Duarte, argumentista de A Fórmula da Felicidade, e desenhos de Joana Afonso, uma das artistas que mais me tem fascinado nos últimos tempos. A história promete ser sobre zombies e a PIDE. Venha ela!

A primeira coisa a confirmar-se é que a arte é de facto fenomenal. Um traço meio de cartoon, muito expressivo, ligeiramente exagerado e, acima de tudo eficaz. As personagens transmitem emoções e sensações com a cara e a linguagem corporal, com facilidade, e os cenários em pano de fundo funcionam muito bem.

O argumento não é a ideia mais original e bem pensada de sempre, mas está sem dúvida bem escrito. Algo de que gostei muito foi que apesar do protagonista ser exactamente um agente da PIDE, a história foca-se pouco nisso, ou na ditadura, que não passa nunca de simples pano de fundo, contexto histórico. O que é interessante são os zombies na pequena vila piscatória (um sítio irónico para uma história tão lovecraftiana), e é isso que ocupa a maior parte do tempo de antena.

Enquanto livro, o maior defeito, para mim, é mesmo o facto de ser tão pequeno. Esta história podia ter durado mais, podia ter contado mais coisas. Não que esteja mau como está, porque não está, mas mesmo assim pareceu-me apressado, embora tenha que fazer a ressalva que isso pode ter sido fruto da minha leitura rápida e não do próprio livro.

É que as personagens são sem dúvida boas, assim como a reviravolta, que me conseguiu surpreender, mas fica a faltar qualquer coisa. Mais conteúdo... Deixem-me explicar. A sensação com que fiquei foi a de que tudo o que li/vi era enredo. Ou seja, não houve tanto espaço para caracterização das personagens, dos espaços, do contexto, para criar empatia com o leitor. O Baile é uma história sempre a direito, o que não é necessariamente mau, e neste caso é apenas não tão bom quanto poderia ter sido.

Resumindo, é um bom livro, que precisava de uns retoques e de mais páginas, com um argumento bom e uma arte muito boa, e que merece, sem dúvida, ser lido, especialmente por quem diz que autores portugueses não escrevem/desenham nada de jeito.

2 comentários:

Jules Pijey disse...

Eu aqui acho que falha qualquer coisa. A arte é boa mas não me cativou especialmente, não me parece bem junta com o argumento de alguma maneira, e o argumento é o que dizes, tinha pano para mangas nas ficaram-se por umas cavas.
Gostei do livro de uma forma geral mas queria mais um bocadinho. (Talvez por também estar mal habituada com as coisas do Nuno Duarte, diga-se de passagem)

Rui Bastos disse...

Precisava de mais páginas...