segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Mort Cinder (Colecção Novela Gráfica #11)


Argumento: Héctor Oesterheld
Arte: Alberto Breccia
Tradução: Catherine Labey, Jorge Magalhães, João Miguel Lameiras


Opinião: Excepcional! Sabe bem encontrar um livro que me deixe tão inesperadamente satisfeito. O formato gigantesco já me tinha despertado a curiosidade, mas a opinião da minha namorada tinha-me deixado de pé atrás.

Felizmente, de vez em quando discordo com ela. E este livro é um caso flagrante. Gostei bastante das ilustrações, com os seus jogos de luz e sombras que depois são levados ao extremo por Frank Miller, em Sin City, e a história prendeu-me completamente.

Mort Cinder é uma personagem fascinante, com origens e propósitos desconhecidos, mas não é propriamente o protagonista. Só o é realmente quando conta as suas histórias, porque de resto é preciso abrir alas para Winston, o antiquário que encontra Mort Cinder, o ajuda e mais tarde o acolhe.

É através dos seus olhos que vemos as situações a desenrolarem-se, desde as peripécias iniciais, misteriosas e sobrenaturalmente estranhas, até às aventuras com Mort Cinder, que contam com vilões de motivos bastante óbvios.

O que mais me fascinou, no entanto, foi o mistério que envolve Mort Cinder, um homem que viveu durante eras passadas e que não morre realmente. Quem é ele exactamente? De onde veio? O que é que está ali a fazer, a tentar viver o mais sossegado possível na casa de um antiquário, depois de ter vivido centenas de vidas diferentes ao longo dos tempos?

Não sei. Aparentemente, só ele o sabe, e nunca em todo o livro ele tenta explicar a situação a Winston, que também não diz nada. E no entanto há pessoas atrás dele para conseguirem atingir a imortalidade.

Há um defeito que ponho ao livro, que parece ter sido herdado por vários filmes, séries de televisão e livros: parece que todos os objectos que vão parar às mãos de Winston, já passaram pelas mãos de Mort Cinder e estiveram muito directamente envolvidos com ele, e dão azo a uma história qualquer numa era passada em que Mort acaba por morrer. Coincidências são perigosas, nestas coisas.

Tirando isso, impecável. A arte é excelente, a narrativa também, e nem sequer se torna repetitiva, ao contrário do que diz a Jules. Também gosto que o livro se vá subtilmente encaixado na categoria de ficção científica, mas só lendo para perceber. Nem sequer são coisas muito originais, mas estão bem executadas, a todos os níveis.

Portanto não hesitem em pegar neste livro, que é excelente e vale bem a pena!

4 comentários:

Optimus Primal disse...

Esse foi um dos que deixei passar.

Rui Bastos disse...

Aconselho vivamente a leitura!

Luiz Santos-Roza disse...

Esta edição é completa? Vai até ao conto dos 300 Espartanos? A obra, no seu todo, é uma das grandes sagas da banda desenhada; e a arte de Breccia é fenomenal!

Rui Bastos disse...

Tem tudo, sim! Vale bem a pena. A arte é sem dúvida um dos pontos altos do livro.