sábado, 12 de setembro de 2015

Trilogia da Viagem: Camões, Pessoa e M. Tavares


Já todos conhecem a minha veia literária masoquista. É aquela minha faceta que me faz ler coisas que nem quero assim tanto e que me obriga a terminar um livro, por muito mau que seja. Tem uma razão de ser: a minha personalidade ligeiramente obsessiva-compulsiva não consegue lidar muito bem com deixar um livro (ou o que quer que seja) a meio, e o meu espírito teórico pode não querer ler algo, mas precisar de ler esse algo.

É essa veia masoquista que me vai fazer ler Os Lusíadas pela terceira vez na minha vida, Mensagem pela segunda, e Uma Viagem à Índia pela primeira. Acreditem, é preciso ser-se masoquista: embora seja fã da epopeia de Camões, não é uma leitura fácil; o livro do Pessoa deve ser uma das coisas dele que mais abomino; e Gonçalo M. Tavares é um autor que me irrita profundamente.

Então porquê, perguntam vocês? Porque existe uma ligação entre estes três livros, e eu quero vê-la muito claramente. Pessoa foi bastante óbvio quanto aos seus paralelismos com a obra de Camões, e M. Tavares foi bem explícito quanto à forma como se "colou" a essa mesma obra. E eu tenho curiosidade. Lembro-me de estudar a Mensagem e reconhecer alguns traços em comum com Os Lusíadas - chega-se mesmo a fazer a comparação, nas aulas - mas fiquei sempre com a sensação de que me estava a escapar alguma coisa.

As semelhanças e as diferenças mais imediatas são chamativas, é certo: a demanda mística do povo português está bem patente em ambos os livros, mas enquanto que Os Lusíadas nos falam desde um passado distante, com esperança e vontade, a Mensagem fala-nos desde um passado recente, com amargura e melancolia. Ambos querem a mesma coisa, mas o segundo já não tem espaço para o optimismo desbragado do primeiro.

Mas ainda assim falta qualquer coisa. Isto é demasiado simples. E onde raio se encaixa o livro de M. Tavares, esse esquizofrénico talentoso, incapaz de escrever um texto decente, mas que ainda assim arrecada todos os prémios e mais alguns?

Tenho curiosidade. E a minha curiosidade é que manda. Portanto pode não ser já, mas ainda este ano hei-de ler os três de seguida, para ser capaz de falar com certezas. Ainda por cima tenho algumas esperanças de que este livro de M. Tavares seja melhor que os outros e me deixe satisfeito de alguma forma!

2 comentários:

Luiz Santos-Roza disse...

Uau, ler GMT apesar de não gostar dele é obra! Parabéns pelo esforço, espero que seja recompensado por ele.

Rui Bastos disse...

Vou tendo uma réstia de esperança, porque nota-se claramente que há ali talento e uma boa escrita... Apenas uma má execução da coisa. E este foi-me oferecido, portanto não perco nada :)