quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

The Arrival


Autor: Shaun Tan


Opinião: Não desgostei. Mas dizer que gostei é demasiado forte. A arte é espectacular, magnífica mesmo, sem a menor dúvida... Mas tirando isso, não houve muito para convencer.

No que toca a BD's até sou um tipo relativamente fácil de satisfazer: a arte tremenda e o Universo peculiar, cheio de pormenores fantásticos, são dois factores que já me deixam mais do que meio encaminhado para ficar fã.

Mas a este em particular, faltou-lhe a história. Ou melhor, faltou-lhe uma forma de me fazer perceber melhor a história. Porque a história está lá, e eu até a percebo, em traços gerais, e dou-lhe mérito. Todo o sofrimento relacionado com a imigração, não exactamente a que se dá hoje em dia, que é demasiado fácil - no sentido em que não significa assim tanto estar longe da família, por exemplo - mas a imigração que se dava há umas décadas atrás, quando era preciso largar mesmo tudo na esperança de conseguir algo melhor, partindo do nada, só por se estar num país diferente.

E como a maior parte dos imigrantes, os do livro, e o protagonista em particular, são pessoas esforçadas e trabalhadoras, que muito suam e pouco se queixam, na esperança de conseguirem ajudar a família, que está longe, e com sorte talvez até a consigam para perto.

Essa parte, especialmente do ponto de vista emocional, está perfeita. Só que o livro não tem narração, nem diálogos, nem nada. É só imagens. E embora isso até costume encaixar bem aqui nas minhas engrenagens, e com artes piores e menos expressivas, desta vez simplesmente ficou aquém.

Quando terminei fiquei a pensar "mas que raio se passou?". Não fiquei com nada em concreto. Apenas algumas imagens geniais e as ideias gerais que atravessam a história de uma ponta à outra. Talvez se possa usar o argumento de que esse é um bocado o objectivo, pois o protagonista não é um emigrante qualquer, mas representa todos os imigrantes, e não discordo completamente disso.

Só que não funciona. Ou não funcionou inteiramente para mim. E nem sequer vos consigo explicar exactamente porquê. Acreditem que fiquei tão fascinado como qualquer pessoa com algumas das imagens que aparecem neste livro, mas a história em si passou-me ao lado, de uma forma geral. O que é estranho, porque uma arte com esta qualidade costuma dar-me ainda mais vontade de acompanhar a história, quer ela venha explicitamente escrita ou não, só que neste caso eu olhava, olhava, olhava e, de certa forma, não via nada. Consegui acompanhar, de forma grosseira, e ficar com as tais ideias gerais, fáceis e óbvias de apanhar, mas foi só.

Fico com pena, porque acho que o livro é realmente bom, e até o aconselho vivamente a toda e qualquer pessoa, porque até dá gosto só de olhar para ele... mas pronto.

2 comentários:

Jules Pijey disse...

Eu acho que um dia mais tarde devias voltar a pegar nele. Não sei o porquê de não te ter feito o click mas achei muito estranho. Acho o livro realmente bom e confesso que achei mesmo que sentirias o mesmo.
Não sei, é legítimo que não tenhas gostado, como é óbvio, mas ainda acho que pode ter sido aí qualquer coisa que não te deixou ver mais do que as ilustrações fascinantes.
Pode ser que um dia lhe pegues de novo e te fascine como fascinou a mim, ou não, mas espero que sim. :)

Rui Bastos disse...

Maybe... We'll see!